Tu e eu

Conta-me os teus segredos. Guarda-los-ei como se fossem meus. Senti-los-eis como se me pertencessem. Deixa-me mergulhar nos teus braços, sentir a tua carne, hoje, aqui, neste pedaço de tempo que nos uniu.
Os teus sussurros despertam-me, de manhã, para um dia que não passa pelos ponteiros do relógio. Os teus dedos percorrem os meus olhos e, sem falares, dizes-me tanto. Escreves nos meus braços palavras que não existem, pelo menos nos dicionários normais. Mas nós entendemo-las; sabemos o que significam e perseguimo-las, juntos, como se pretendêssemos criar um vocabulário só nosso, imperceptível a mentes alheias.
Enrolada nos brancos lençóis, sinto os pequenos raios de sol aquecerem o quarto. São tímidos. Mergulham em nós com cautela, pedindo permissão para se embrenharem no espaço que também é deles. E ali, permanecemos deitados, embrulhados em mais um dia que não passa pelo tempo. E se esse dia tivesse tempo, agitaria os mais belos ponteiros sobre esses dois corpos que se esqueceram que aquela manhã é real.
