O meu super-herói

Dizem que os super-heróis não existem, que foram criados para os filmes de animação e que são meros pedaços de ficção. Eu não acredito nisso. Tenho a plena convicção de que existem seres distintos, singulares e até extravagantes.
Esses seres nem sempre são reconhecidos. A sua excentricidade pode colocá-los num ciclo de incompreensão por parte dos que os envolvem. Mas isso entende-se com facilidade: estranhamos o que é diferente e o que não está alinhado com aquilo que conhecemos e que sabemos ser capazes de fazer. A história dá-nos vários exemplos disso:
- Albert Einstein, o mais célebre cientista do século 20, foi descrito pelo seu professor como “mentalmente lento, não-sociável e sempre perdido nos seus sonhos.”
- Thomas Edison, um dos maiores inventores que o mundo conheceu, foi acusado pelos seus professores como sendo demasiado burro para aprender qualquer coisa.
- Charles Darwin, o criador da Teoria da Evolução, foi considerado por muitos como sendo medíocre.
A lista poderia continuar. E esse é um os dos motivos que me leva a crer que a genialidade é, muitas vezes, incompreendida.
Porque é que escrevo sobre super-heróis ou mesmo seres humanos com capacidades acima das normais? Bem, para começar, cresci com um super-herói.
O meu super-herói é alto, elegante e altamente inteligente. Consegue ver para além dos outros e excede-se pela sua capacidade de analisar rápida e acertadamente qualquer situação. Ele existe para além de si: perpetua-se em tudo aquilo que o envolve. É, por isso, imortal.
É belo, sem se preocupar com a roupa que carrega no corpo. Aliás, acredita que o que nos envolve não passa de um cartão-de-visita que nos acompanha, mas que jamais nos poderá definir como seres humanos.
O meu super-herói usa o humor como nenhum outro ser de capa! São poucos os que ficam alheios à sua atraente personalidade e isso é o suficiente para que permaneça na memória de tantos, para sempre.
E as palavras? As palavras que escreve colidem com aquilo que considero superior.
Não há dúvida que os seus poderes são diversificados. Mas o maior de todos é a capacidade de estar sempre presente, em qualquer lugar, em qualquer momento. Bastará gritar pelo seu nome, e ele aparece, envergando a sua bela capa azul com a letra P marcada a negro.
Infelizmente, o meu super-herói não poderá ser o vosso super-herói. Mas ele existe, é real. Existem outros, que poderão assemelhar-se em alguns pontos, mas, para mim, o Super P. é o maior e mais incrível ser que voa pelos céus. Voa sem ser pássaro. E, aqui entre nós, a sua capa não permite que permaneça no ar por mais de 2 segundos. Mas, mesmo assim, ele continua a voar, acenando-me, lá do alto, com um sorriso rasgado na sua clara face.
E quando pousa os pés na terra, o mundo estremece, mas apenas eu sinto esse atrevido abalo. Pelo menos com tal intensidade.
Sim, o meu super-herói é importante para muitos. Mas é amado por mim como mais ninguém. Ele existe desde sempre, ensinou-me a caminhar, a falar e é o primeiro a acreditar que um dia também eu poderei ser uma super-heroína.
E, se um dia lá chegar, olharei para o céu, gritarei pelo seu nome e lá o verei, com a sua capa azul, sorrindo-me. E aí gritarei que tudo se deveu a ele. Ao meu Super-Pai!
